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ASSUMIR RESPONSABILIDADES

O francês Phelippe Zarifian, um dos precursores da Gestão por Competências, define competência profissional como algo sustentado por dois pilares fundamentais. Sem eles, o trabalhador não poderia ser chamado de competente.

Neste artigo, procuro me dedicar exclusivamente ao primeiro deles (Assumir Responsabilidades). Não porque seja, necessariamente, o mais importante. Mas por outras duas razões. 

A primeira é pelo impacto altamente positivo que o desenvolvimento dessa capacidade dá às equipes e às empresas. 

A organização que tem este pilar bem desenvolvido em seus funcionários, dificilmente padece, pelo mesmo mal, muitas vezes seguidas.  

A aprendizagem das pessoas e da própria organização se dá em um ritmo muito mais rápido, à medida que os envolvidos têm o senso crítico de observar a própria participação nas coisas que acontecem na empresa. Especialmente nos fracassos.

Quando o indivíduo procura entender, em suas práticas, o que tem contribuído para o sucesso, bem como, aquilo que tem prejudicado e gerado ineficiência, apresenta prontidão muito maior para ajustar as próprias práticas para o futuro.

Seguirá, como qualquer ser humano, cometendo erros. Mas com o compromisso, cada vez mais claro, de cometer “erros novos”.

A segunda razão se refere à raridade dessa competência no dia a dia organizacional. É, infelizmente, muito comum, se deparar com empresas onde a arte de procurar culpados prevalece. As pessoas se esquivam de qualquer possibilidade de atividade ou fala que possa gerar uma responsabilidade um pouco mais alta.

Este tipo de comportamento, muitas vezes, é próprio da personalidade de algumas pessoas. Por mais que sejam adequadamente estimuladas a assumirem responsabilidades, terão bastante dificuldade em apresentar essa postura.

Mas, em outras tantas vezes, a aversão das equipes em assumir responsabilidades, é fortemente estimulada pela postura da liderança.

Quando gestores e gestoras têm (por conta de algo que deu errado) a tendência de buscar cabeças para prêmio, com punições muito mais severas do que a situação poderia exigir, existe a clara propensão, por parte da equipe, em se esquivar de qualquer responsabilidade um pouquinho mais elevada. 

As pessoas que respondem para uma liderança com essas características, já iniciam uma atividade procurando encontrar justificativas (desculpas) caso as coisas não corram muito bem. Se tornam defensivas, sem iniciativa e com baixa prontidão para atividades que sejam novas ou mais desafiadoras. 

Considera-se um(a) profissional competente aquele(a) que procura sempre verificar a influência de sua participação nos resultados da equipe. 

O indivíduo competente está todo o tempo “olhando para dentro” e verificando o que fez (ou deixou de fazer) e que trouxe o rendimento observado. 

Dessa forma, analisando criticamente a própria atuação nas ocorrências na empresa, procurará sempre verificar o que é preciso fazer para não repetir os erros e dar sustentabilidade aos bons resultados. 

É interessante observar que esse pilar da competência (Assumir Responsabilidades) depende de um comportamento essencialmente proativo.

Profissionais que buscam, permanentemente, observar sua participação nos resultados da empresa (positivos e negativos), estão sempre procurando ações corretivas para as carências comportamentais e técnicas, bem como reforçando, preventivamente, aquelas competências que têm trazido boas performances.

Grande Abraço!