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O que VOCÊ FAZ no seu TEMPO OCUPADO?

Você já deve ter respondido, algumas vezes, perguntas sobre o que você faz no seu tempo livre. Mas agora a pergunta é outra. Como o título propõe, quero saber o que você faz no seu tempo ocupado.

Pergunto isso por conta da minha curiosidade em saber das atividades detalhadas do seu dia a dia? Não, necessariamente.

Pergunto porque entendo ser importante que todos possamos refletir sobre o nosso foco e concentração quando nos dispomos a fazer alguma atividade. Especialmente aquelas voltadas ao trabalho.

De acordo com dois pesquisadores da universidade de Harvard (Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert), os seres humanos, enquanto se voltam a realizar uma atividade, ficam, na verdade, em 47% do tempo, pensando (ou divagando) sobre qualquer outra coisa, que não aquela atividade que deveria ser feita.

Muitas vezes, as pessoas ficam perdidas no passado. Se voltam a pensar em coisas tristes do passado, arrependimentos, caminhos não trilhados, conversas não feitas, escolhas infelizes, amores não vividos, exageros cometidos, entre outras lembranças que geram angústia e entristecimento.

Por vezes, durante a atividade do trabalho, passam horas remoendo um passado que não poderá ser, de nenhuma forma, modificado. Perde-se um tempo danado matutando sobre algo que não está, de nenhuma forma, sob nosso controle.

Algumas vezes, o pensamento no passado também pode trazer lembranças positivas, alegres através das boas memórias. Mas, de toda forma, enquanto estamos com a incumbência de realizar determinada tarefa no trabalho, a tendência é que essa “viagem” nos traga ainda mais perda do foco e da qualidade na execução da atividade profissional.

O mesmo acontece quando nos perdemos no futuro. O pensamento voa em um futuro cheio de alegrias e conquistas. Ficam imaginando quando terão a quantidade de dinheiro suficiente, aquele emprego dos sonhos, o próprio negócio, a viagem tão desejada por muitos dias, ou no tempo livre que terão para finalmente fazer suas atividades de lazer.

Quando isso acontece, também jogamos muito tempo fora.

Não quero sugerir que as pessoas não pensem no futuro e façam seus planos. Muito pelo contrário. Isso deve ser feito e, por todas as razões, é muito saudável.

Mas, o que acontece em muitas das vezes, é que os indivíduos “viajam” (mais uma vez) em um futuro completamente desconectado com os plantios que estão sendo feitos no presente.

Se o objetivo é conquistar esse futuro cheio de coisas boas, precisamos estar atentos para o fato de que a única coisa que temos é o momento presente. O que está nas nossas mãos, efetivamente, é a condição de fazer bem feito o que temos para o momento.

O “pensar no futuro” também pode trazer medos completamente contraproducentes que trarão, da mesma forma, perda de tempo no nosso dia a dia. Medo da doença futura, do desemprego, do fracasso, da desilusão que poderá, quem sabe, um dia, acontecer... E que, na maior parte das vezes, não acontece.

Quanto mais utilizarmos nosso tempo para ficar pensando no futuro (ou no passado), enquanto temos tarefas para cumprir AGORA, mais atrasados estaremos.

Além de tudo isso, contamos ainda com recursos tecnológicos que, por mais sedutores que sejam, podem retardar ainda mais nossas buscas.

As redes sociais, os serviços de mensagens instantâneas e todas as informações divertidas que conseguimos a cada segundo na internet (ou nos comentários dos amigos), da mesma forma que nos deixam melhores (com a boa utilização), podem nos afastar dos próprios objetivos.

Em uma palestra que fiz em Porto Alegre, quando citei a informação dos cientistas Killingsworth e Gilbert (de que perdemos 47 % do tempo durante as atividades que realizamos), uma participante me perguntou: “Marcelo, perdemos SÓ 47%???”

A impressão dela é absolutamente natural e comum. Muitas vezes, percebemos que a perda de tempo supera (e muito) os 50%. Os seres humanos perdem 60, 70 ou 80% do tempo divagando sobre outras coisas que não aquelas escolhidas para o momento.

O que podemos esperar da qualidade das atividades?

O que podemos esperar do nosso processo evolutivo?

Quanto de valor esperamos agregar com nosso trabalho?

Querem mais uma última informação? Os cientistas ainda afirmam que a mente “viajante” ou distraída (wandering mind) tende a ser infeliz. Essa correlação, que não nos parece muito distante de nossas vivências, também é reforçada pela ciência.  

Portanto, como a infelicidade e a baixa produtividade não são objetivos de quem está lendo este texto, sugiro uma reflexão sobre o assunto.

Qualquer ação no sentido de reduzir a perda de tempo durante nossas atividades, já deve surtir efeito importante na qualidade das nossas entregas.

Grande abraço e bom trabalho!!!